O Capitão e a Sereia (2009)
O grupo de teatro potiguar Clowns de Shakespeare estreou a temporada do seu novo espetáculo "Sua Incelença 0 III". Após três anos de pesquisa, a peça nasce com a promessa de proporcionar a internacionalização do grupo, bem como vem coroar o décimo sétimo aniversário dos Clowns e a parceria com o premiado diretor Gabriel Villela, um dos mais importantes nomes do teatro contemporâneo no país.
"O Capitão e a Sereia" estreou em São Paulo em outubro de 2009 ficando dois meses em cartaz, com um total de 40 apresentações. O espetáculo recebeu o Prêmio Shell 2009 de melhor figurino e foi indicado na categoria melhor música, sendo também considerado o terceiro melhor espetáculo da temporada paulistana de 2009 pela Folha de São Paulo.
A obra literária sobre a qual o grupo trabalhou conta a história de Marinho, um sertanejo que nasceu e cresceu ouvindo histórias e canções sobre o mar, o que acabou gerando uma grande paixão pelo tema. O rapaz desenvolve uma exímia habilidade de contar histórias sobre o mar e logo forma uma trupe de mambembes que sai pelo alto sertão a encantar as pessoas com suas histórias marítimas. Certo dia, o sertanejo se cansa desta vida e abandona a trupe para, finalmente, conhecer o mar.
Na encenação, o foco é diferente da narrativa do livro: ao invés de contar a história do herói que parte em busca do seu sonho, o grupo conta a história da trupe que ficou. Através da espera pelo retorno do Capitão Marinho, a trupe constrói seu espetáculo, porém o espetáculo em si supostamente não acontece, pela ausência do protagonista do grupo.
A luta dos mambembes em fazer com que o público não perceba a situação delicada que eles estão vivendo é o fio condutor da peça, mediado por um outro plano narrativo em que o grupo – os Clowns de Shakespeare, e não a trupe, batizada de "Tropega, Mas Não Escorrega‟ – comenta a situação dos seus personagens e estabelece um diálogo com a obra literária original.
O uso de uma pesquisa musical cuidadosa, característica marcante da estética do grupo, continua sendo uma tônica, conduzida pela direção musical de Marco França. Neste processo, o trabalho musical contou com a colaboração preciosa do pernambucano Helder Vasconcelos, ex-integrante do grupo Mestre Ambrósio, pesquisador de Cavalo- Marinho (manifestação tradicional que serviu de inspiração para o autor André Neves), que assina a preparação corporal, em um trabalho ampliado para muito além do corpo, atingindo a música e a encenação do espetáculo.
A produção conta com uma equipe formada por profissionais de sete estados brasileiros. Além dos já citados André Neves (PE/RS) e Helder Vasconcelos (PE), também participam do processo a figurinista e cenógrafa Wanda Sgarbi (MG), a caracterizadora Mona Magalhães (RJ), o paulistano Márcio Marciano, ex-integrante da Cia. do Latão, que realiza uma consultoria de dramaturgia e encenação, o dramaturgo colaborador Rafael Martins (CE) e os diretores-colaboradores Adelvane Néia (SP) e João Lima (BA).
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