Experimentando
Por: Joel Monteiro
Se eu não me engano foi o Brecht que disse uma vez que o melhor prazer era o da descoberta. Não há dúvidas. "Como fazer para que o teatro seja ao mesmo tempo divertido e instrutivo?" foi, certamente, ele quem perguntou. A pergunta me faz acreditar que é possível que tenha sido ele que disse a frase anterior.
Ontem no Barracão Clowns brincamos, praticamos, descobrimos... deleitamos. Acho que experimentamos um pouco dessas duas questões colocadas pelo alemão. Com a presença do escritor Carlos Fialho, integrante do coletivo Jovens Escribas, nos propusemos a brincar com a dramaturgia.
Na semana passada o diretor e dramaturgo do Coletivo Alfenim (João Pessoa/PB) esteve no Barracão ministrando uma oficina para o coletivo e demais integrantes dos Clowns sobre dramaturgia. A oficina faz parte do projeto de manutenção da Petrobras e incorpora parte do processo do próximo espetáculo do grupo, “Hamlet” com direção de Márcio Aurélio.
O objetivo era lançar os participantes na esfera da dramaturgia para, com essa aproximação, experimentar as fricções geradas, entender as especificidades e produzir. E isso foi feito! Pelos relatos dos participantes os dias se passaram cheios de criatividade e estímulos. Mas, e com o material criado faz-se o que? Agora é jogar nas mãos dos atores-camundongos-de-laboratório pra ver o que sai.
Fernando propôs quatro exercícios. O primeiro foi criado por Paula na oficina e continha uma primeira fala de um texto que deveria ser desenvolvido, uma situação e uma descrição da personagem. Para uma dupla (eu e Renata) não foi entregue a situação em que a fala estava inserida. Para outra (Marco e Camille) não foi entregue a descrição da personagem que dizia a fala. Com isso cada dupla teria que desenvolver a história e criar um experimento cênico. Foi muito interessante ver os caminhos totalmente opostos tomados pelas duas duplas ainda que trabalhando o mesmo texto. Qualquer contexto muda toda uma situação.
Titina e Dudu receberam uma espécie de fórmula escrita por Fialho. A partir dela teriam que enxertar as falas e criar a cena. A fórmula dava as personagens, a situação, as ações, etc. Era uma espécie de roteiro de ações e aí os dois criaram a cena. Depois Fialho leu para nós a cena criada para essa fórmula com as falas inseridas, etc. e foi muito bom perceber a diversidade, as possibilidades que a experiência prática proporciona. César e Paula trabalharam com um texto já mais acabado e, por conseguinte, o exercício, embora improvisado, tinha um certo acabamento, estrutura, etc.

