A oficina Exílio em Cena aconteceu no Sesc Glória, centro de Vitória – ES, no dia 10 de junho de 2016. Foi conduzida pela atriz Camille Carvalho e pelo diretor Fernando Yamamoto do grupo Clowns de Shakespeare. Estiveram presentes oito alunos. Iniciamos a oficina com uma roda de nome, onde cada aluno dizia seu nome seguindo a sequência da roda; esses nomes iam se acumulando até que o último da roda dissesse o nome de todos, incluindo o seu.

Esses nomes foram utilizados no jogo do “vilão” que escolhemos para iniciar. O vilão é um jogo que pode trabalhar muitos elementos utilizados no teatro como: atenção, foco, atitude, prontidão, agilidade, memória e concentração. O interessante desse jogo é ver o estado dos jogadores depois que eles entendem a dinâmica. O corpo fica em um estado diferente, mais interessante para a cena.
Depois de nos conhecermos no jogo, fizemos uma breve apresentação individual, falamos um pouco sobre o grupo e nossa forma de trabalho, e seguimos para o exercício de criação dramatúrgica.
Formamos duplas e cada ator, individualmente e sem combinar, tinha que escrever um diálogo de dez falas entre pai/mãe e filho/filha. Eles tinham que definir quem faria qual personagem e quem começava o diálogo. O tema do diálogo era democracia.
Após decorar as falas, fizemos o exercício de improvisação. Cada dupla, sem combinar, iria para a cena com a fala do seu personagem, sem saber quais eram as falas do outro personagem. A regra do jogo era que eles tinham que seguir o diálogo exatamente como escreveram, na ordem que escreveram – mesmo que parecesse sem sentido – e iriam improvisar em cima disso. As duplas podiam combinar a organização espacial, ou seja, onde a plateia iria se posicionar e onde eles iriam estar.

As cenas sempre surpreendem e a tendência natural é que os atores se sintam inseguros, porque, de dentro do jogo eles têm a sensação de que nada está funcionando. Mas a plateia se surpreende positivamente com a potência desse exercício aparentemente desconexo.
Quando todas as duplas apresentaram, fizemos uma rápida avaliação para que o público – as outras duplas- pudesse falar de suas impressões da cena improvisada. As duplas relatavam que nada tinha funcionado, mas, a plateia sempre falava o que tinha surpreendido durante a improvisação.
Repetimos o exercício, dessa vez, os atores já sabiam suas falas e as falas da dupla, o que facilitava pensar em um sentido para cada fala e ação. Eles também poderiam pensar na organização do espaço considerando a avaliação do público. Dessa forma, as cenas ficaram com um ar mais elaborado, o que não impediu os atores de estar em estado de jogo, em estado de cena.

No fim, a avaliação da oficina foi positiva e pudemos observar o quanto os participantes se interessaram pelo jogo do vilão e seus possíveis desdobramentos, assim como pelo exercício de dramaturgia e improvisação. Particularmente nessa turma, houve uma certa dificuldade de manter o tema “democracia” no texto que foi escrito individualmente. Mas, durante a cena, mesmo sem falar a palavra “democracia”, ela esteve presente nas ações dos personagens.