Em Diamantina nos deparamos com uma turma com muita disposição, mas com pouca experiência com o fazer teatral. Assim, ficamos em dúvida se a nossa proposta de oficina seria um adequada, já que temos percebido que, quanto mais experiência por parte dos participantes, mais possibilidades de aprofundar o exercício e as questões por ele levantadas.

Resolvemos então propor uma discussão com a turma sobre o que trabalhar: fazer uma oficina mais elementar, com fundamentos do teatro através de jogos, ou manter a nossa proposta original, dentro da dinâmica do exílio. Juntos, decidimos manter a proposta pois, mais do que experiência teatral, percebemos que a oficina pede muita disposição e vontade de trocar com o outro, e isso a turma tinha bastante. O que aconteceu em seguida provou que acertamos.

Conversamos e falamos sobre o tema da oficina, depois fizemos o exercício do “vilão”, para trabalhar um corpo mais presente para o jogo, e fomos à nossa dinâmica de dramaturgia e de improviso. Ah, eu e Camille, além de ministrarmos a oficina, também participamos e fizemos todos os exercícios.

A turma respondeu bem, e a partir das cenas apresentadas, pudemos levantar questões a respeito da escrita do dramaturgo, da escrita do espaço enquanto dramaturgia, da escrita do ator em cena durante o jogo, da escrita do ator/diretor, etc., e tudo isso a partir da prática, observando e comentando, entendendo questões básicas do teatro, a partir de cenas levantadas pelos alunos.

Passamos por dois tipos de avaliação: as das cenas, para que em seguida pudéssemos refazer ajustando o que foi apontado, e a avaliação da oficina. Na primeira avaliação, os alunos tiveram um olhar muito mais voltado para apontar as potências que as cenas tinham, a partir das próprias deficiências que demonstravam. Isso foi muito positivo, pois já indicava caminhos para aprimorar as cenas. E na segunda avaliação, a turma falou que o tema interessava bastante e que gostaram do caminho percorrido, e apesar do pouco tempo construímos muita coisa.

Bom, no mais, achei interessante eu e Camille participarmos também, pois apesar de conhecermos o exercício, é interessante com ele nos coloca num lugar desconhecido, mas muito potente de criação, pois ao menos tempo que ele exige que você construa um personagem, uma cena, um estado, ele pede que você esteja “ erado”, pra se deixar afetar pelo encontro com o outro e o que ele traz. Além disso, nossa cena serviu para despertar neles outras formas de fazer a cena, menos naturalistas, e ampliando também a questão do espaço, além de demonstrar que estamos num mesmo barco, que é um exercício tanto para eles quanto para nós, também aprendizes.

Paula Queiroz