A oficina “Exílio em Cena” em Belo Horizonte/MG aconteceu na Toca da Cutia, sede do Grupo de
Teatro Maria Cutia.

Com uma turma de 10 alunos iniciamos as atividades às 18h30. Estavam presentes os integrantes do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare Renata Kaiser, Dudu Galvão, Joel Monteiro, Fernando Yamamoto e Rafael Telles.

Como a oficina se dá dentro do universo da nossa atual pesquisa sobre a América Latina e mais especificamente tendo como objeto de investigação o processo de criação do espetáculo “Nuestra Senhora de las Nuvens”, iniciamos com um breve bate papo sobre a atual pesquisa do grupo e o processo de criação da obra em questão. Falamos da importância desse espetáculo para a produção do grupo especialmente no momento em que o país passa por tempos tão turbulentos e sombrios em nossa política. Externamos como o processo foi conduzido a partir da criação coletiva entre atores e diretores, nosso modo de construção elaborando workshops das cenas do texto tendo eixos de criação o teatro épico, o surrealismo e a ludicidade utilizada a partir da inserção de elementos de outras linguagens. Falamos também sobre a relação entre memória e imaginação que existe em grande parte da obra de Arístides Vargas, autor do texto.

A partir daí partimos para o trabalho prático. Dudu Galvão conduziu um momento de alongamento e aquecimento corporal e posteriormente inserimos pequenos jogos para que os participantes pudessem se conhecer e socializar minimamente.

Em seguida executamos um exercício de criação cênica a partir da criação dramatúrgica que nos foi apresentado pelo próprio Arístides. Divididos a turma em 5 duplas e cada um deveria escrever 10 falas de um diálogo onde deveria ser imaginado o que o outro completaria. Um não poderia ter acesso a produção textual do outro. As regras eram:
-Deve haver um pai/mãe e um filho/filha na dupla;
-A fala inicial era do pai/mãe;
-A idade do filho pode ou não ser definida por eles;
-Os dois estão inseridos em um contexto de exílio;
-O diálogo deveria ter o tema”democracia”.

As duplas apresentaram seus exercícios e juntamente com todos os integrantes pudemos ir discutindo sobre os espaços que a criação dramatúrgica oferece ao espaço de criação do ator, como eles se confluem, etc. Após a apresentação pedimos para que os integrantes especificassem um lugar onde a cena estaria acontecendo e isso nos deu mais elementos para discussão e elaboração da cena.

Por último pedimos que cada dupla escolhesse um dos personagens para que fosse criado um depoimento sobre a cena que foi desenvolvida. Isso os remeteu imediatamente a duas coisas. Uma delas é a já citada relação entre memória e imaginação presente no texto. A outra foi a forma como nós inserimos esse elemento de forma mais concreta na nossa montagem através da inserção de depoimentos reais de brasileiros exilados por conta do golpe militar de 1964.

Assim, pudemos levantar material crítico e prático sempre a partir da criação artística. Os relatos dos participantes ao final do dia de oficina em uma breve avaliação foram muito animadores. Nos falaram especialmente da potência que o exercício tem levando a criação a partir da improvisação, mas com esse foco mais direcionado para a criação dramatúrgica e de como isso era para eles novo e estimulante.